Paulo Gamito Faria
Paulo Gamito Faria recorda como conheceu a história de Carmita através da família, o exemplo da dádiva de sangue e a devoção que lhe dedica, refletindo sobre a santidade e a importância de preservar o seu testemunho de vida.
Paulo Gamito Faria recorda como conheceu a história de Carmita através da família, o exemplo da dádiva de sangue e a devoção que lhe dedica, refletindo sobre a santidade e a importância de preservar o seu testemunho de vida.
Olímpia de Jesus Cardoso Fortuna, cunhada de Carmita, recorda a sua dedicação aos seis filhos, a vida familiar e de oração, os «Vagabundos da Montanha» e a iniciativa de dádiva benévola de sangue na Quinta do Anjo.
Maria da Redenção Cardoso de Matos Fortuna, sobrinha e afilhada de Carmita, partilha memórias da sua vida familiar, dos «Vagabundos da Montanha», da dedicação aos mais necessitados e da profunda fé que orientava todas as suas ações.
João Quaresma de Matos Fortuna recorda a sua tia Carmita, o seu sorriso, a dedicação à família e aos mais necessitados, a profunda vivência da fé e o testemunho de caridade que deixou.
Não conheci a Carmita Fortuna na sua vida terrena, com a sua família, na linda povoação da Quinta do Anjo. Quando cheguei a Setúbal, há muito que ela tinha partido para o Pai. E, no entanto, posso dizer que a conheço.
Conheço nela uma mulher que, desde a sua juventude, viveu apaixonadamente o Evangelho e sempre fez questão de o pôr em prática, sem se demorar em considerações e hesitações.
Não há palavras nossas para falar da Carmita.
Estar de joelhos no dia-a-dia e no serviço do amor é que diz, é que corresponde ao falar-se e ao testemunhar-se a vivência que nos ficou desse Anjo da Caridade e da Transparência do Céu.
Tudo nela, era Cristo. O seu ofício, na terra, foi autêntica instauração da Esperança, proclamação do Reino!
Conheci a Carmen Fortuna, a Carmita, há muitos anos, quando não era ainda membro confesso da Igreja, quando era ateu convicto, médico do velho Hospital da Misericórdia onde hoje é o Museu da Cidade.
Conheci-a quando maternalmente trazia à consulta alguns dos seus filhos adoptivos. Ao ter conhecimento da sua vida, das suas opções, compreendo hoje que foi um dos primeiros Evangelhos que li. Impressionava pela sua dedicação, pela sua amorosidade, pelo seu sacrifício por aquelas crianças que considerava como sendo verdadeiramente suas.
A recepção em plena Páscoa duma carta dum irmão da Carmita fez-me julgar, que estava recebendo de novo uma visita desta amiga, que vinha de longe (atravessava o Tejo para visitar um irmão, que morava aqui próximo, e o médico, que passara a merecer-lhe confiança).
Esta visita quase tão irreal, como algumas outras me pareceram, efectuada após uma ausência de quase dois anos, prolongou-se mais, pois já não havia necessidade de regressar à outra banda.
Amávamo-nos muito, a Carmita e eu, ou melhor, exprimindo-me em termos mais correctos e mais consentâneos com a minha Fé, amamo-nos muito.
E afirmo “amamo-nos muito” porque creio, com toda a força das coisas irrefutáveis e evidentes, que a Carmita continua hoje viva no Céu, na comunhão do Pai, do Filho e de todos os Santos.
Havia já muito tempo que desejava fazer-lhe uma visita, no seu leito de sofrimento. Embora não tivesse tido uma intimidade muito profunda com a Carmita, visto a ter conhecido tão somente nalgumas reuniões de Ultreia e, ultimamente, no Encerramento dum Curso de Cristandade, aonde se deslocara com imenso sacrifício, eu admirava-a imenso. Na verdade, nunca mais esquecerei um testemunho seu, numa dessas Ultreias, em que ela tinha partilhado, com toda a simplicidade, a sua aceitação total, em relação àquela doença fatal que o Senhor lhe quisera enviar.